Soube da notícia hoje enquanto vinha para o trabalho ouvindo Band News (aliás, uma ótima fonte de informações sobre o Rio): os deputados estaduais aprovaram uma lei que obriga todos os cinemas do estado, num período máximo de 180 dias, a enumerar suas cadeiras.
Isso vai acabar com aquele história de ter que chegar muito cedo na fila de entrada no cinema para tentar lugares melhores. Basta comprar o lugar mais interessante antecipadamente e sem stress.
É, bem, ora pois. Estou sumido feito um jacaré-de-papo-amarelo deste blog (péssima analogia). Mas vou voltar. Nestes últimos tempos tenho estado muito atolado com projetos e trabalhos e mal tenho tempo para ler meus feeds prediletos. Mas vou voltar a fazer meu podcast, voltar a escrever, porque é isso que eu gosto. E vou procurar também falar de coisa menos genéricas aqui no transeunte, nem que seja apenas a minha amada Rio de Janeiro.
Então é isso, até mais ver!
05 Nov
Enviado por Vitor Wilher - Curiosidades
De onde eu tirei isso? Desse site aqui.
O site G1 publicou uma matéria na qual expõe o que algumas pessoas físicas aprenderam com a crise financeira. Aqui coloco o tal aprendizado e faço alguns comentários…
Dorival dos Santos, 59 anos, representante comercial. O que aprendeu: “Eu não entro mais. É um mercado legal para quem tem disponibilidade, para quem gosta de sofrer, é ótimo. Eu prefiro uma coisa mais light.”
MEU COMENTÁRIO: Dorival cometeu, basicamente, dois erros. Primeiro, ele não avaliou de forma correta o seu perfil antes de entrar no mercado de ações. Retirou dinheiro da renda fixa, um investimento bastante conservador e colocou no mercado de capitais, um investimento bastante agressivo. Em segundo lugar o mercado de ações é um lugar para quem gosta de ganhar dinheiro. Dorival não avaliou a relação entre retorno e risco. Em finanças, quanto maior for a expectativa de retorno maior será o risco. Assim, é preciso buscar um ponto de equilíbrio entre os dois, o que, evidentemente, o rapaz acima não encontrou…
Franklin Toassa, 25 anos, empresário. O que aprendeu: “A diversificar mais. Eu colocaria dinheiro em outras coisas também para ter mais liquidez. Ação é para longo prazo.”
MEU COMENTÁRIO: A teoria ensina que diversificação reduz risco, mas também reduz retorno. Diversificar só é aconselhado em tempos de crise e totalmente desaconselhado em momentos de expansão. Liquidez é a capacidade de converter um ativo em moeda no curto prazo, sem perdas. Assim sendo, a maioria das ações possui boa liquidez. Esta só diminui, claro, em tempos de crise, quando diminui a disposição para comprar papéis. Ação é um investimento como outro qualquer e não, necessariamente, de longo prazo. Existem milhares de investidores internacionais fazendo day trade e ganhando muito dinheiro com isso - aliás são os que mais ganham dinheiro.
Rodrigo Nogueira, de 25 anos, economista. O que aprendeu: “O jeito é “esquecer do dinheiro por um tempo (…) A estratégia é tentar diminuir esse prejuízo, tem que ter frieza nesses momentos.”
MEU COMENTÁRIO: Isso, esqueça o dinheiro que ele esquecerá você. Em tempos de crise a pior coisa que você pode fazer, se manteve o dinheiro na bolsa, é esquecê-lo. Uma ação pode cair tanto que não se recuperará tão cedo.
Renato Pires, 34 anos, assessor jurídico. O que aprendeu: “Se fosse hoje eu não aplicaria de novo, deixaria lá na conta-poupança. É um mercado que tem influência de acontecimentos mundiais. Você está investindo em uma coisa sobre a qual você não consegue controlar tudo.”
MEU COMENTÁRIO: Mais um que não avaliou de forma correta o seu perfil. É um cara conservador, que tem grande aversão a risco. Ora, por que então investir em renda variável?
Leandro Marques, 25 anos, economista. O que aprendeu: “Daqui pra frente vou ficar mais atento para este tipo de noticiário (o econômico internacional). Se estivesse mais informado, talvez pudesse ter comprado menos. Isso serve de lição.”
MEU COMENTÁRIO: o economista Leandro Marques não acompanhou a bolha do subprime dos EUA. Algo que qualquer especialista na área deveria saber…
Moral geral da estória: em todos os casos os “investidores” entraram no mercado de ações quando ele já estava muito valorizado e a crise do subprime norte-americana já era uma realidade eminente. Erraram, portanto, em dois aspectos: 1) entraram na alta; 2) não se importaram com o cenário internacional.
Caro transeunte, um pouco de versos…
“La vida loca”
Vivi a dor existencial
Aquela angústia de não saber
Qual o seu lugar no mundo
Não nego isso
Vivi.
Vivi as alegrias de uma vida plena
Sentir-se vivo em plena chuva
Ir a um jogo no Maracanã
Vencer e sorrir.
Ganhei uma bicicleta
Logo bem pequeno
Passei na escola
Todos os malditos anos.
Senti aquele frio na barriga
Quando a gente dá o primeiro beijo
Sim, senti.
Gritei, experniei e chorei.
Assisti minhas bandas
Nem todas
Mas os “covers” estão ai.
Passei no vestibular
Gritei ‘pra caralho’
E como…
Entrei na faculdade
E acabei me perdendo
Sonhei ser economista
Depois ministro
Quem sabe até presidente…
Mas me enxerguei
E fui ser poeta
Desses de esquina
Sentado em uma mesa de bar.
Reencontrei meus amigos de infância
E como estão diferentes
O que seria advogado
Virou traficante
E a atriz, uma diplomata de carreira…
Quanta diferença.
A vida, o que aprendi?
Que não importa o final
O importante é a trajetória
Que não importa o passado
Nem muito menos o futuro
O importante é o presente.
Já disse ‘eu te amo’ muitas vezes
Já chorei por amor
Já escrevi cartas bobas
Já briguei e voltei
Já briguei e deixei pra lá…
“Já tive mulheres de todas as cores
A maioria de pouca idade
E muitas com muito amor”.
E se o plágio não valesse a pena
Não existiriam os plagiadores
E se o crime não compensasse
Não existiriam políticos ricos…
A burguesia fede?
Mas come caviar
E nesse país de hipócritas
Tira onda onde quiser…
Entendo os macunaímas
Mas vanglorio também os heróis
Não os brasileiros
Porque esses não existem…
Fui e sou brasileiro
Acima de tudo
Em todas as coisas.
Se queria ter sido?
Não pediram minha opinião
Mas eu, se pudesse,
Seria alemão…
Povo filha da puta?
Que nada
Derrotados em duas guerras
Hoje parece que nada sofreram.
E o Brasil tem futuro?
Tem, claro.
O que lhe falta é presente
E um pouco de vergonha na cara.
E vida que segue…
Follow me the good guys
And the bad guys too…
Follow me right now!
Para quem, como eu, pega as barcas quase todos os dias já deve ter notado que o serviço tem estado bastante solicitado nos horários de maior movimento (8h às 9h na parte da manhã e 18h às 19h na parte da noite). Você, caro transeunte, acha que o problema é das barcas? Se você respondeu que sim, recomendo que leia esse texto….
Sds,
VW
Não serão poucos os analistas políticos que colocarão a culpa pela perda de Gabeira no populismo de Eduardo Paes. A promessa de construção de 40 UPAs é um argumento poderoso a favor desses profissionais. É claro que existe um pouco de razão nesse argumento, mas isso, definitivamente, não foi determinante para a derrota do candidato verde.
Gabeira nunca se postou como vencedor do pleito. Chegou ao segundo turno muito mais pelo extrema rejeição do candidato Marcelo Crivella do que pelas propostas que apresentou. O candidato do PV e sua onda empolgaram aqueles que pouco dependem do poder público - basta ver os locais onde teve o maior número de votos. Esses eleitores podem se dar ao luxo de se sensibilizarem com as três promessas feitas por Gabeira - não sujar as ruas, não atacar os adversários e ser transparente.
Não que a outra parte da sociedade (a metade que não votou em Gabeira) não aprecie tais práticas. Não se trata de julgar isso. Para ela, entretanto, propostas de combate a dengue, o compromisso em melhorar a saúde e a educação soam melhor aos ouvidos. Alguns dirão - muitos já disseram - que Eduardo Paes usou do velho artifício de encher a campanha de promessas. Ora, se um candidato não se compromete com propostas, como cobrá-lo durante o governo? O candidato do PMDB fez propostas, discutiu idéias. Já Gabeira quis estar acima disso, quis “elevar o nível do debate”, sem de fato debater.
O candidato do PV quis servir de modelo para os políticos brasileiros. Apresentou-se como defensor de uma bandeira ética. Em nenhum momento, entretanto, se postou como candidato a prefeito. Preferiu a figura de um Gandhi político a entrar no debate sobre como administrar uma cidade cheia de problemas. De certo que empolgou as pessoas de mais alta renda e maior escolaridade. Empolgou os jovens esperançosos, os que tem plano de saúde e pagam educação privada. Gabeira representou, como ele mesmo disse ao reconhecer a derrota, o protesto de pessoas que estão cansadas da velha política brasileira.
É muito bom para o país que, vez ou outra, surjam candidatos como ele. Em 2006, seguindo a mesma linha, o senador Cristovam Buarque levantou a bandeira da educação. Percorreu o país defendendo a construção de um sistema de educação integral federalizado. Obteve cerca de 2,5 milhões de votos. Muitas de suas propostas estão na pauta do MEC atualmente. Ocorrerá o mesmo com o fenômeno Gabeira? Só o tempo pode dizer.
Aos transeuntes que gostam de ler, aqui vai uma passagem bastante interessante de um dos livros mais aclamados de nossa literatura:
“Nascera no Rio de Janeiro, na Corte; militara dos doze aos vinte anos em diversas maltas de capoeira; chegara a decidir eleições nos tempos do voto indireto. Deixou nome em várias freguesias e mereceu abraços, presentes e palavras de gratidão de alguns importantes chefes de partido. Chamava a isso a sua época de paixão política; mas depois desgostou-se com o sistema de governo e renunciou às lutas eleitorais, pois não conseguira nunca o lugar de contínuo numa repartição pública - o seu ideal! - Setenta mil-réis mensais: trabalho de nove às três”.
Há algum tempo atrás escrevi esse artigo que trata de algo parecido com o que escreveu o célebre Aluísio Azevedo.
Lindemberg namora Eloá. Ele é muito mais velho do que ela. O namoro vai bem, os dois se amam muito. Há apenas um problema: Lindemberg é muito ciumento. Vasculha as coisas de Eloá em busca de uma suposta traição. Implica com seus amigos, achando definitivamente que está sendo traído com um, ou vários, deles.
O relacionamento é explosivo. Nos bons momentos eles se amam desesperadamente. Já nos maus brigam para que todos os vizinhos ouçam. Uma montanha russa de emoções que é prazerosa por um tempo, mas que acaba cansando Eloá.
Ela, após muito refletir, resolve terminar tudo. Quer estabilidade. Algo que Lindemberg não pode lhe dar. Ele não compreende, faz ameaças à Eloá. A ama mais do que tudo em sua vida. O ciúme e a perda se misturam, transformando a mente do rapaz em um Etna em erupção.
Não demora muito e Lindemberg enlouquece. Pega uma arma e vai tirar satisfações com Eloá. Quer explicações. Tem absoluta certeza de que foi trocado por outro. Quer o nome do homem que agora parece ocupar o seu lugar. Eloá, entretanto, nega. Diz que não há ninguém. O problema é ele, com seus picos de humor, com sua instabilidade débil que a deixa insegura a todo o tempo.
Lindemberg não consegue ouvir aquilo. Ele é um cara normal, cujo único defeito é amar demais. Ela sim que nunca o amou. Nunca o deu o valor merecido. O valor que ele acredita merecer.
Nessa guerra de nervos, Lindemberg resolve manter Eloá e sua amiga Nayara presas em um apartamento. O rapaz faz ameaças constantes. Diz que se eles não retomarem o namoro então é melhor morrer. Mata-se e leva as duas juntas. A tragédia humana é anunciada.
Os vizinhos, ao ouvirem os gritos, chamam a polícia. Trata-se de cárcere privado: as polícias especiais correm para o local. Posicionam-se. Tentam entender o ocorrido. Julgam que trata-se de uma briga entre ex-namorados. Subestimam o vilão e começam a travar as negociações.
O cenário, entretanto, se complica. As horas e os dias passam. Lindemberg, o namorado ciumento, não cede. Fazê-lo é desistir de seu amor. Mantém as duas amigas dentro do apartamento. Blefa com a polícia. Mostra-se instável, suicida, adiando o término da tragédia.
A polícia tem chances de eliminar o algoz de Santo André. Mas prefere não fazê-lo. Afinal, ele é um garoto de 22 anos, que ainda pode se arrepender daquele ato. Lindemberg não pensa assim e continua o cerco. Dribla oficiais treinados e pagos pelo Erário. Mantém um circo que é televisionado para todo o país.
Após cerca de 100 horas de muita negociação, idas e vindas, blefes e flertes, a polícia alega ter ouvido um tiro vindo de dentro do apartamento. Já não há mais nada a fazer a não ser invadir o local. Mas a porta da frente está emperrada! Uma mesa e um rack atrapalham a entrada dos policiais especiais. É o tempo suficiente para que Lindemberg, acoado e desesperado, dispare contra as duas jovens. Atira no rosto de Nayara e na cabeça de Eloá. A primeira sobrevive, a segunda não tem a mesma sorte. A tragédia anunciada se torna realidade.
Tal versão da invasão não é conclusiva. Nayara diz não ter ouvido nenhum tiro antes de a polícia entrar no apartamento. Os policiais especiais alegam que a menina está confusa. A pouca idade impede que ela tenha uma visão mais apurada daquela situação traumatizante. A verdade, entretanto, é que pouco importa quem está com a razão.
Muito foi dito e escrito nos últimos dias a respeito dos motivos que levaram Lindemberg a fazer o que fez. O filósofo inglês Thomas Hobbes escreveu em seu aclamado Do Cidadão que o homem pode ser tanto o deus quanto o lobo do próprio homem. Às vezes matamos o outro pela simples impressão de que sofreremos algum tipo de coerção.
Por mais que queiramos acreditar na visão aristotélica de que somos animais políticos, naturalmente prontos para convivermos em sociedade, a verdade é que não somos. Somos regidos por nossas paixões e nossos desejos. Temos dentro de nós demônios e anjos que convivem em um equilíbrio instável e, por vezes, explosivo.
É justamente por isso que necessitamos de leis severas e de punições efetivas. Talvez não precisemos de um Leviatã, como sugeriu Hobbes, mas definitivamente precisamos de um sistema judiciário eficiente. É através desse instrumento que nos protegemos de nós mesmos. É através da imposição do Estado de Direito que evitamos a tragédia humana.
Dirão muitos que leis severas não impedem que suicidas cometam tragédias como a de Santo André. O indivíduo possui todo o direito, apesar de algumas Constituições não concordarem com isso, de atentar contra a própria vida. Agora quando ele atenta contra a vida de outros indivíduos deve ser considerado um assassino. Os políciais especiais, na existência de uma aversão extrema ao cárcere privado, poderiam muito bem ter eliminado o rapaz em uma das seis oportunidades que tiveram. Não o fizeram porque sabiam que seriam escrachados pela sociedade aristotélica. Fosse nossa sociedade inspirada em conceitos hobbesianos, Lindemberg pensaria mil vezes antes de fazer o que deveras fez. Até porque, como acabou sendo provado, ele não tinha nada de suicida.
Já faz alguns anos, eu tenho uma opinião formada quando o assunto é GREVE. Vira e mexe olhando um jornal impresso, vendo na tv ou simplesmente ao andar na rua, você se depara com a informação de que alguma categoria encontra-se neste estado. Há duas semanas atrás, fui a uma audiência no fórum de São Gonçalo e me deparei com um grupo de aproximadamente umas 25 pessoas vestindo camisas com letras vermelhasgarrafais com a mensagem ” GREVE“, e um lunático esbravejando meia dúzia de bobagens sócio-corporativistas com um megafone na mão. Abordado por uma jovem “trabalhadora” que participava do movimento, vindo me entregar um panfleto eu indaguei: “mocinha, quando você fez o concurso, constava no edital o valor do seu futuro salário caso fosse aprovada, né?!”, nesse dia eu tava com a pá meio virada, exatamente por culpa da tal audiência que eu fui participar.
Amigos, nada tenho contra quem faz concurso público e sonha com a tal estabilidade, tão almejada e prometida por tais provas, unicamente não concordo com as decepções mais do que anunciadas causadas após um certo tempo nesse tipo de atividade. Um outro exemplo prático é o da foto abaixo:
Certa vez perguntei a um amigo da faculdade: “quanto será o salário de um professor 40h recém-concursado?”, o colega me respondeu que devia ser uns R$ 3000,00 (concursado de universidade federal, 40h).
- Uma grana boa, não é, dá pra viver tranquilo - observou o colega.
Aí eu pensei comigo mesmo: “bom enquanto você não tem uma casa, esposa e dois filhos pra sustentar…”. Meu raciocínio é o seguinte, quando uma pessoa jovem, ainda sem tantas obrigações presta um concurso, mais importante do que pensar no salário hoje, é ter uma visão a médio e longo prazo. Mais importante do que pensar se 3, 4 ou 5 mil reais são suficientes pra ele garantir a própria sobrevivência hoje, é ponderar se essa grana vai ser suficiente pra garantir o sustento (saúde, educação, vestuário, moradia, diversão etc.) de sua família daqui ha algum tempo.
Hoje, como esudante, vivencio situações de estopins de greve cujas reclamações incluem diminuição da jornada de trabalho, mais benefícios e aumento salarial depois de x anos de congelamento, e tenho certeza de que vou pensar 10³ vezes antes de tentar uma vaga no funcionalismo público ao me formar. É claro que reclamações devem ser feitas para que providências sejam tomadas em virtude das reivindicações dos grupos grevistas, embora ainda acho que existem formas mais politizadas e democráticas para se requerer tais propostas. Enquanto isso, vale a pena pensar se é justo nossas crianças ficarem de tempos em tempos sem aulas; nossos hospitais, que já possuem filas desumanas, se transformarem em verdadeiros casos de calamidade pública; ter nossa segurança, já fraquejada, enfrentar estado de completo caos, entre outras situações nada agradáveis criadas por grupos insatizfeitos com as suas preteritamente anunciadas condições de trabalho.
ps.: tentaram nos últimos dias pagar alguma coisa no banco?
Então é isso,
Raphael Arlon.