Sai a prosa, entram versos…
Posted by felipepavao - 30/10/08 at 10:10:14 amCaro transeunte, um pouco de versos…
“La vida loca”
Vivi a dor existencial
Aquela angústia de não saber
Qual o seu lugar no mundo
Não nego isso
Vivi.
Vivi as alegrias de uma vida plena
Sentir-se vivo em plena chuva
Ir a um jogo no Maracanã
Vencer e sorrir.
Ganhei uma bicicleta
Logo bem pequeno
Passei na escola
Todos os malditos anos.
Senti aquele frio na barriga
Quando a gente dá o primeiro beijo
Sim, senti.
Gritei, experniei e chorei.
Assisti minhas bandas
Nem todas
Mas os “covers” estão ai.
Passei no vestibular
Gritei ‘pra caralho’
E como…
Entrei na faculdade
E acabei me perdendo
Sonhei ser economista
Depois ministro
Quem sabe até presidente…
Mas me enxerguei
E fui ser poeta
Desses de esquina
Sentado em uma mesa de bar.
Reencontrei meus amigos de infância
E como estão diferentes
O que seria advogado
Virou traficante
E a atriz, uma diplomata de carreira…
Quanta diferença.
A vida, o que aprendi?
Que não importa o final
O importante é a trajetória
Que não importa o passado
Nem muito menos o futuro
O importante é o presente.
Já disse ‘eu te amo’ muitas vezes
Já chorei por amor
Já escrevi cartas bobas
Já briguei e voltei
Já briguei e deixei pra lá…
“Já tive mulheres de todas as cores
A maioria de pouca idade
E muitas com muito amor”.
E se o plágio não valesse a pena
Não existiriam os plagiadores
E se o crime não compensasse
Não existiriam políticos ricos…
A burguesia fede?
Mas come caviar
E nesse país de hipócritas
Tira onda onde quiser…
Entendo os macunaímas
Mas vanglorio também os heróis
Não os brasileiros
Porque esses não existem…
Fui e sou brasileiro
Acima de tudo
Em todas as coisas.
Se queria ter sido?
Não pediram minha opinião
Mas eu, se pudesse,
Seria alemão…
Povo filha da puta?
Que nada
Derrotados em duas guerras
Hoje parece que nada sofreram.
E o Brasil tem futuro?
Tem, claro.
O que lhe falta é presente
E um pouco de vergonha na cara.
E vida que segue…
Follow me the good guys
And the bad guys too…
Follow me right now!
O problema das barcas é de regulação…
Posted by felipepavao - 29/10/08 at 12:10:24 pmPara quem, como eu, pega as barcas quase todos os dias já deve ter notado que o serviço tem estado bastante solicitado nos horários de maior movimento (8h às 9h na parte da manhã e 18h às 19h na parte da noite). Você, caro transeunte, acha que o problema é das barcas? Se você respondeu que sim, recomendo que leia esse texto….
Sds,
VW
Por que Gabeira perdeu?
Posted by felipepavao - 28/10/08 at 08:10:13 amNão serão poucos os analistas políticos que colocarão a culpa pela perda de Gabeira no populismo de Eduardo Paes. A promessa de construção de 40 UPAs é um argumento poderoso a favor desses profissionais. É claro que existe um pouco de razão nesse argumento, mas isso, definitivamente, não foi determinante para a derrota do candidato verde.
Gabeira nunca se postou como vencedor do pleito. Chegou ao segundo turno muito mais pelo extrema rejeição do candidato Marcelo Crivella do que pelas propostas que apresentou. O candidato do PV e sua onda empolgaram aqueles que pouco dependem do poder público - basta ver os locais onde teve o maior número de votos. Esses eleitores podem se dar ao luxo de se sensibilizarem com as três promessas feitas por Gabeira - não sujar as ruas, não atacar os adversários e ser transparente.
Não que a outra parte da sociedade (a metade que não votou em Gabeira) não aprecie tais práticas. Não se trata de julgar isso. Para ela, entretanto, propostas de combate a dengue, o compromisso em melhorar a saúde e a educação soam melhor aos ouvidos. Alguns dirão - muitos já disseram - que Eduardo Paes usou do velho artifício de encher a campanha de promessas. Ora, se um candidato não se compromete com propostas, como cobrá-lo durante o governo? O candidato do PMDB fez propostas, discutiu idéias. Já Gabeira quis estar acima disso, quis “elevar o nível do debate”, sem de fato debater.
O candidato do PV quis servir de modelo para os políticos brasileiros. Apresentou-se como defensor de uma bandeira ética. Em nenhum momento, entretanto, se postou como candidato a prefeito. Preferiu a figura de um Gandhi político a entrar no debate sobre como administrar uma cidade cheia de problemas. De certo que empolgou as pessoas de mais alta renda e maior escolaridade. Empolgou os jovens esperançosos, os que tem plano de saúde e pagam educação privada. Gabeira representou, como ele mesmo disse ao reconhecer a derrota, o protesto de pessoas que estão cansadas da velha política brasileira.
É muito bom para o país que, vez ou outra, surjam candidatos como ele. Em 2006, seguindo a mesma linha, o senador Cristovam Buarque levantou a bandeira da educação. Percorreu o país defendendo a construção de um sistema de educação integral federalizado. Obteve cerca de 2,5 milhões de votos. Muitas de suas propostas estão na pauta do MEC atualmente. Ocorrerá o mesmo com o fenômeno Gabeira? Só o tempo pode dizer.
Uma descrição bastante atual…
Posted by felipepavao - 27/10/08 at 09:10:49 amAos transeuntes que gostam de ler, aqui vai uma passagem bastante interessante de um dos livros mais aclamados de nossa literatura:
“Nascera no Rio de Janeiro, na Corte; militara dos doze aos vinte anos em diversas maltas de capoeira; chegara a decidir eleições nos tempos do voto indireto. Deixou nome em várias freguesias e mereceu abraços, presentes e palavras de gratidão de alguns importantes chefes de partido. Chamava a isso a sua época de paixão política; mas depois desgostou-se com o sistema de governo e renunciou às lutas eleitorais, pois não conseguira nunca o lugar de contínuo numa repartição pública - o seu ideal! - Setenta mil-réis mensais: trabalho de nove às três”.
Há algum tempo atrás escrevi esse artigo que trata de algo parecido com o que escreveu o célebre Aluísio Azevedo.
Crônica de um crime
Posted by felipepavao - 27/10/08 at 08:10:18 amLindemberg namora Eloá. Ele é muito mais velho do que ela. O namoro vai bem, os dois se amam muito. Há apenas um problema: Lindemberg é muito ciumento. Vasculha as coisas de Eloá em busca de uma suposta traição. Implica com seus amigos, achando definitivamente que está sendo traído com um, ou vários, deles.
O relacionamento é explosivo. Nos bons momentos eles se amam desesperadamente. Já nos maus brigam para que todos os vizinhos ouçam. Uma montanha russa de emoções que é prazerosa por um tempo, mas que acaba cansando Eloá.
Ela, após muito refletir, resolve terminar tudo. Quer estabilidade. Algo que Lindemberg não pode lhe dar. Ele não compreende, faz ameaças à Eloá. A ama mais do que tudo em sua vida. O ciúme e a perda se misturam, transformando a mente do rapaz em um Etna em erupção.
Não demora muito e Lindemberg enlouquece. Pega uma arma e vai tirar satisfações com Eloá. Quer explicações. Tem absoluta certeza de que foi trocado por outro. Quer o nome do homem que agora parece ocupar o seu lugar. Eloá, entretanto, nega. Diz que não há ninguém. O problema é ele, com seus picos de humor, com sua instabilidade débil que a deixa insegura a todo o tempo.
Lindemberg não consegue ouvir aquilo. Ele é um cara normal, cujo único defeito é amar demais. Ela sim que nunca o amou. Nunca o deu o valor merecido. O valor que ele acredita merecer.
Nessa guerra de nervos, Lindemberg resolve manter Eloá e sua amiga Nayara presas em um apartamento. O rapaz faz ameaças constantes. Diz que se eles não retomarem o namoro então é melhor morrer. Mata-se e leva as duas juntas. A tragédia humana é anunciada.
Os vizinhos, ao ouvirem os gritos, chamam a polícia. Trata-se de cárcere privado: as polícias especiais correm para o local. Posicionam-se. Tentam entender o ocorrido. Julgam que trata-se de uma briga entre ex-namorados. Subestimam o vilão e começam a travar as negociações.
O cenário, entretanto, se complica. As horas e os dias passam. Lindemberg, o namorado ciumento, não cede. Fazê-lo é desistir de seu amor. Mantém as duas amigas dentro do apartamento. Blefa com a polícia. Mostra-se instável, suicida, adiando o término da tragédia.
A polícia tem chances de eliminar o algoz de Santo André. Mas prefere não fazê-lo. Afinal, ele é um garoto de 22 anos, que ainda pode se arrepender daquele ato. Lindemberg não pensa assim e continua o cerco. Dribla oficiais treinados e pagos pelo Erário. Mantém um circo que é televisionado para todo o país.
Após cerca de 100 horas de muita negociação, idas e vindas, blefes e flertes, a polícia alega ter ouvido um tiro vindo de dentro do apartamento. Já não há mais nada a fazer a não ser invadir o local. Mas a porta da frente está emperrada! Uma mesa e um rack atrapalham a entrada dos policiais especiais. É o tempo suficiente para que Lindemberg, acoado e desesperado, dispare contra as duas jovens. Atira no rosto de Nayara e na cabeça de Eloá. A primeira sobrevive, a segunda não tem a mesma sorte. A tragédia anunciada se torna realidade.
Tal versão da invasão não é conclusiva. Nayara diz não ter ouvido nenhum tiro antes de a polícia entrar no apartamento. Os policiais especiais alegam que a menina está confusa. A pouca idade impede que ela tenha uma visão mais apurada daquela situação traumatizante. A verdade, entretanto, é que pouco importa quem está com a razão.
Muito foi dito e escrito nos últimos dias a respeito dos motivos que levaram Lindemberg a fazer o que fez. O filósofo inglês Thomas Hobbes escreveu em seu aclamado Do Cidadão que o homem pode ser tanto o deus quanto o lobo do próprio homem. Às vezes matamos o outro pela simples impressão de que sofreremos algum tipo de coerção.
Por mais que queiramos acreditar na visão aristotélica de que somos animais políticos, naturalmente prontos para convivermos em sociedade, a verdade é que não somos. Somos regidos por nossas paixões e nossos desejos. Temos dentro de nós demônios e anjos que convivem em um equilíbrio instável e, por vezes, explosivo.
É justamente por isso que necessitamos de leis severas e de punições efetivas. Talvez não precisemos de um Leviatã, como sugeriu Hobbes, mas definitivamente precisamos de um sistema judiciário eficiente. É através desse instrumento que nos protegemos de nós mesmos. É através da imposição do Estado de Direito que evitamos a tragédia humana.
Dirão muitos que leis severas não impedem que suicidas cometam tragédias como a de Santo André. O indivíduo possui todo o direito, apesar de algumas Constituições não concordarem com isso, de atentar contra a própria vida. Agora quando ele atenta contra a vida de outros indivíduos deve ser considerado um assassino. Os políciais especiais, na existência de uma aversão extrema ao cárcere privado, poderiam muito bem ter eliminado o rapaz em uma das seis oportunidades que tiveram. Não o fizeram porque sabiam que seriam escrachados pela sociedade aristotélica. Fosse nossa sociedade inspirada em conceitos hobbesianos, Lindemberg pensaria mil vezes antes de fazer o que deveras fez. Até porque, como acabou sendo provado, ele não tinha nada de suicida.
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