O que você faz com o seu lixo?
Posted by felipepavao - 29/11/08 at 09:11:52 amMeus amigos sabem o quanto fico fulo da vida com os imundos que jogam lixo no chão. Parece que o governo estadual, por meio da secretaria de meio ambiente, resolveu “comprar” a minha briga. Está promovendo, por meio de rádio e televisão, campanha contra os imundos. Tem até um site (http://www.meulixo.rj.gov.br).
Geralmente quando abordo alguém que joga lixo no chão - e eu sempre abordo, não consigo evitar - os imundos dizem que: A) a culpa da sujeira das ruas não é deles, é do agregado (todas as pessoas que jogam); B) estão dando emprego para o gari. Acho que não preciso nem comentar a ignorância e imbecilidade das “desculpas”. Um domingo desses fui comprar um frangão assado na padaria perto de casa e tinha um imundo jogando ossos de galinha - isso mesmo - na rua. Não aguentei e falei que ele era mal educado por fazer aquilo. O imundo deu a “desculpa” A e ficou fulo da vida porque eu o havia chamado de mal educado. Quis até partir para as vias de fato. Mas não partiu porque o pessoal do “deixa disso” apartou.
Esse é um pequeno exemplo dos vários que já presenciei. Ontem mesmo, voltando do Rio na madruga, discuti com um senhor que estava jogando um lata de refrigerante no chão. “É para a reciclagem”, alegou o imundo. Achei engraçado porque tinha uma lata de lixo reciclável a dois metros dele. Questionado sobre a evidência, o velho preferiu “sair pela tangente” e ir embora. A evidência da ignorância dele era irrefutável - “contra fatos, não há argumentos”.
Bom, diante dessas inúmeras brigas que já tive sobre lixo, constatei os seguintes fatos:
1) Os imundos não têm idade. Desde velhos até, o que é mais triste, às crianças jogam lixo na rua;
2) Os imundos não têm classe social. Dos engravatados até os mendigos jogam lixo nas ruas;
3) Os imundos não gostam quando são repreendidos. Eles se sentem acoados e demonstram profunda revolta com isso;
Por que isso ocorre? Trata-se de um instituição informal, enraizada em nosso país devido à inexistência de boas práticas de cidadania nas escolas. Mas isso não ocorre apenas porque “é Brasil” - como dizem alguns -, a ignorância não é exclusividade do nosso país. Na Itália, por exemplo, as pessoas não jogam lixo nas ruas porque sabem que podem ser multadas por isso - o que ocorre na maioria dos países desenvolvidos - e porque foram ensinadas nas escolas a ter boas práticas de cidadania. O que muda a maneira pela qual as pessoas lidam com o seu lixo tem a ver com três coisas básicas: 1) aumento da taxa de escolaridade; 2) inserção de boas práticas de cidadania na escola (algo como “saber conviver em sociedade”); 3) incentivos para que as pessoas não joguem lixo (campanhas de conscientização e multas, por exemplo). A teoria é bem simples: as gerações que incorporam esses três conceitos substituem as gerações que nunca tiveram tais noções de cidadania. Isso ocorre em um prazo muito longo - chutaria 100 anos para países como o Brasil.
Uma boa maneira de ensinar às futuras gerações a não jogar lixo nas ruas é exatamente incluir a matéria CIDADANIA no currículo das escolas básicas. Mas nada de teoria. Aulas práticas de cidadania. Por exemplo, pegue umas 20 crianças e leve elas para uma praça. Faça com que elas observem o ir e vir de pedestres. Ensine-os uma lição: jogar papel na rua é um ato negativo. Cada vez que uma criança ver um adulto jogando papel na rua, ensine-os a intervir. Mande uma dúzia de crianças para cima dessa pessoa falando o quão errado é aquela atitude. Tenho certeza de que essa lição será plenamente apreendida por todas as crianças - eu já tinha abordado essa questão em texto bastante antigo, que pode ser lido aqui.
Particularmente eu sou bastante cético à possibilidade de um imundo reagir à campanhas de conscientização. Além disso, não acho que governos devam gastar dinheiro com campanhas publicitárias - o dinheiro poderia ser melhor gasto na implementação do item CIDADANIA nas escolas. Entretanto, fiquei feliz com a campanha do governo do estado porque parece que alguém levou a sério minha briga…
PS: O que você acha de adotar a mesma postura que eu adoto: chamar um imundo de imundo quando ele estiver jogando lixo na rua?
Delegacia Virtual
Posted by felipepavao - 28/11/08 at 08:11:22 amhttp://www.delegaciavirtual.rj.gov.br/
Boa iniciativa do governo do RJ!!!!
Sobre cotas, consciência negra e afins
Posted by felipepavao - 27/11/08 at 10:11:55 amAproveitando o post do meu primo sobre o tema, gostaria de tecer aqui alguns comentários que me preocupam muito quando leio ou participo de alguma discussão sobre cotas. Pessoas reconhecidamente esclarecidas se dizem a favor das cotas, sem saber no erro que incorrem…
Para começar gostaria de dizer que sou contra, radicalmente contra, qualquer tipo de lei de cotas, de qualquer espécie. Tal postura não é apenas legalista, i.e., não sou contra as cotas apenas porque elas ferem o artigo 5o. da Constituição Brasileira. A razão é mais abrangente.
Para demostrá-la gostaria de apresentá-los a William Du Bois (1868-1963) - o primeiro afro-americano a receber um Ph.D. de Havard. Autor do livro “Os talentosos 10%” (1903), ele alega que “A História do mundo não é a história dos indivíduos, mas de grupos, não a de nações, mas a de raças”. Assim, para que a raça negra conseguisse crescer, seria preciso que, por meio de uma rigorosa seleção educacional, um em cada dez negros pudesse almejar a liderança mundial da raça negra. Em outras palavras, medidas que possibilitassem a escolarização de negros, como o Affirmative Act, serviriam apenas para selecionar os tais 10% talentosos no meio de toda a ração.
O que isso quer dizer, caro leitor? Quer dizer um fato bastante óbvio, mas quase sempre esquecido até mesmo por pessoas reconhecidamente esclarecidas: leis de cotas não servem para reduzir a desigualdade social. Diante de uma sociedade com um sistema educacional incoerente (o sistema básico é ruim, o ensino superior estatal é bom), a aprovação de uma lei de cota racial só fará com que alguns negros, dentro do universo de negros, alcance uma melhoria de padrão de vida.
Ora, caro leitor, as cotas, como visto, apenas constroem uma casta de negros melhor educados, em detrimento de todos os outros negros. Isso não é justamente o que William Du Bois chamou de os 10% talentosos?
No limite do processo - e aqui peço aos defensores de cotas atenção -, a única coisa que uma lei de cotas pode fazer é “democratizar” a desigualdade social: alguns negros e alguns brancos conseguem alcançar o topo da sociedade. Mas isso, em nenhum momento, reduz a desigualdade social existente entre negros e brancos, entre pobres e ricos. Por que? Porque não toca na origem da desigualdade, qual seja, a inexistência de um sistema de educação básica de qualidade disponível para qualquer brasileiro.
Como social-liberal, tenho convicção de que a origem das distorções sociais estão justamente nas condições iniciais diferentes dadas a ricos, pobres, negros, brancos etc… Dai que a única maneira de restaurar um equilíbrio mínimo na sociedade é justamente dar condições iniciais iguais para todos. E isso só se constrói a partir da instauração de programas universais de educação básica, saúde e renda mínima.
E ai não está envolvido nenhuma igualdade utópica. Ao contrario dos socialistas, os social-liberais querem igualdade no início e não no final. As pessoas se diferenciam uma das outras no decorrer do tempo, dados talento, determinação e uma série de outros fatores que são diferentes entre os indivíduos. Assim, para que haja um mínimo de moralidade dentro do capitalismo, é preciso que existam condições iniciais iguais para todos.
Assim sendo, a única maneira de reduzir as desigualdades sociais, seja entre pobres e ricos ou entre negros e brancos (se alguém quiser discutir nesses termos), é dar condições iniciais iguais para todos. Qualquer outra medida só desvirtua ainda mais o contrato social.
São imbecis ou o quê ?
Posted by felipepavao - 23/11/08 at 07:11:51 pmJá estou conformado com a queda do Vasco para a segunda divisão. Como sabem, sou vascaíno doente e é muito difícil falar sobre isso aqui. O fato que é que torcedor é um ser muito cego e o que mais me irrita é quando algum indivíduo que se diz vascaíno clama pela volta do sr. Eurico Miranda. Parecem não culpar sua gestão por transformar o time do Vasco no que ele é hoje.
Aí eu pergunto: vocês são idiotas, imbecis, estúpidos ou burros mesmo ?
Consciência negra e sistemas de incentivo
Posted by felipepavao - 23/11/08 at 08:11:00 amNa última quinta comemoramos no Rio de Janeiro o dia da Consciência Negra. Eu poderia falar sobre o motivo histórico ou ideológico do feriado, mas prefiro fazer outra abordagem sobre outro tema tão atual quanto. Vou falar aqui da importância do sistema de cotas para negros nas universidades públicas e o que esta medida deseja causar em um médio prazo.
Abordando este tema por tópicos vamos por partes:
- Não concordo que a medida seja a ideal, pois é evidente que precisamos de uma melhora dos ensinos fundamental e médio para obtermos uma grande reforma educacional em nosso país (falo do ensino público). Somos um país atrasado devido a educação atrasada oferecida.
- Agora, aceito a medida pelo seguinte: os negros sempre foram subjugados e denegridos. Por isso, são pequena minoria em cargos de chefia ou de grande importância. Isso certamente é culpa da falta de oportunidade histórica que nunca receberam e a medida visa remediar isso. Colocar o negro no mesmo patamar de oportundidades que o branco tem.
- Não considero o que os ignorantes chamam de medida preconceituosa ou ineficaz. Já vemos os resultados nas universidades. É importante agora pensar no ensino básico agora (na verdade, há muitos atrás já deveríamos ter nos preocupado).
E mais um complemento tão importante: existe um projeto de lei que está no Senado Federal (salvo engano) onde planejam reservar 50% das vagas de universidades públicas (acho que escolas técnicas federais tb) para estudantes oriundos da rede pública. Nada mais justo oferecer vagas para quem não tem condição de pagar. Enquanto as universidades públicas brasileiras não forem privatizadas e seu modo de ingresso alterado como nos padrões de outros grandes países, penso que seja a melhor forma de gerar oportunidade para quem não a tem. Mas como eu disse, nada vai melhorar se não enriquecermos o ensino básico.
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