Notas da Queda
Posted by felipepavao - 10/12/08 at 01:12:21 pmSabe aquele ditado “não adianta chorar sobre o leite derramado”? Então, acho que agora pouco adianta ficar reclamando ou chorando sobre o rebaixamento do CRVG. O importante é fazer o diagnóstico da queda e elaborar um plano de ação para 2009. Eis aqui algumas sugestões deste escriba:
1) O CRVG já vinha flertando com as últimas posições do campeonato - exceção, talvez, do ano passado - há um bom tempo. O time se desestruturou completamente após o último mundial de 2001;
2) Desde o início de 2008 estava bastante claro que o time do CRVG era muito, mas muito ruim. Isso foi reflexo de uma desestruturação completa das divisões de base, que sempre formaram bons jogadores para o clube. Não adianta ficar imaginando que o clube irá contratar grandes estrelas. O CRVG, assim como a maioria dos clubes brasileiros, não tem dinheiro. Ou seja, para começar uma mudança em 2009 será preciso rever o planejamento dessas categorias;
3) A atual diretoria foi muito festejada pela maioria dos vascaínos. Este escriba, entretanto, sempre teve uma postura muito clara sobre como deve ser a administração de um clube de futebol: profissional. Não adianta colocar um cara bem intencionado como o Dinamite e achar que as coisas vão mudar do dia para a noite. É preciso encarar a realidade: os clubes brasileiros são artesanalmente administrados. Não tem gente de mercado lá dentro. É preciso, portanto, colocar gente que entenda de administração - principalmente esportiva, que já tem pessoal bem qualificado no país - e transformar o clube. Por que não elaborar um business plan e começar a encarar as dívidas de frente? Por que não fazer um planejamento de médio e longo prazos para zerar essas dívidas? Por que não apresentar esse business plan a um banco de investimento e montar um project finance estruturado visando fazer um IPO no mercado de capitais ou recorrer a um financiamento em algum venture capital? Existem muitas oportunidades - independente da crise, queiram os pessimistas saber -, o que não existe é capacidade da atual diretoria - e da maioria dos clubes brasileiros - em orquestrar algo do tipo;
Não adianta, caros leitores, o CRVG não conseguirá sair dessa situação de forma tranquila. Será preciso reestruturar o clube de forma bastante pragmática e intensiva. A queda para a segunda divisão pode ser uma oportunidade de reflexão. Parar e ver: porra, tá tudo errado! Vamos começar de novo? Vamos fazer certo dessa vez? É isso que tem que acontecer.
Os outros clubes brasileiros também estão no mesmo barco. Está todo mundo devendo as pampas. Todo mundo “levando como pode”. É só ver a pressão que foi feita para aprovação da “Time-mania”. Porra, quer sediar uma Copa do Mundo e ficar dependendo de loteria para financiar clube de futebol? Tá de sacanagem né? É brincadeira.
Quer fazer sério? Chama uma consultoria, monta um business plan, constrói um plano de pagamento das dívidas e vamos começar a fazer negócio. Futebol é um serviço como cinema, teatro, etc. Quer continuar com São Januário do jeito que está? Completamente desconfortável, sem o mínimo de infra-estrutura? Quando as pessoas entenderem que futebol é rentável, é um serviço, que pode gerar muito, mas muito mais dinheiro do que essa merreca que se ganha vendendo jogador, acho que ai a coisa vai andar. É isso ou continuar servindo de colônia, dentro de um esquema de pacto-colonial, exportando matéria-prima para os europeus “manufaturarem” no bem estruturado campeonato deles.
Rebaixamento do Vasco
Posted by felipepavao - 07/12/08 at 06:12:03 pmComo sabem eu sou Vascaíno doente. E hoje, posso ter a ousadia de dizer que é o pior dia da minha vida.
Futebol é uma paixão. Não se discute isso. E acho que, nenhum torcedor merece que seu time seja rebaixado a segunda divisão. Ainda mais o Vasco, um time que tem uma das mais belas histórias de clubes brasileiros.
Mas eu vou erguer a cabeça. Sou apaixonado e esperançoso, como qualquer torcedor. Se conseguimos sair da disnastia “Eurico Miranda”, devemos agora seguir a velha máxima: “Enquanto houver um coração infantil, o Vasco será imortal”.
Você pegaria a namorada do seu amigo?
Posted by felipepavao - 06/12/08 at 03:12:19 pmCalma! Não responda agora. Primeiro imagine que ela é muito, mas muito gostosa. Depois suponha que você a encontrou, casualmente, em uma sexta-feira à noite, em um pub no centro da cidade. Você só queria tomar um chope, sozinho, e depois ir para casa descansar. Ela parecia querer o mesmo. Era o que parecia.
Vocês se cumprimentam, trocam burocracias e ela te convida para sentar. Você pensa: por que não? Papo vai, papo vem e ela explica porque está sozinha: brigou com o namorado - o seu amigo. Você, espontaneamente, solta um “Poxa! Que pena”. Sincero, claro, afinal ele é seu amigo.
Chope vai, chope vem, e ela continua explicando - as mulheres adoram explicar - os motivos da tal briga. Mas você - admita! - parou de ouvir quando ela disse que seu amigo não a merece. Ao contrário disso, preferiu olhar para o decote dela. E que decote! Nos primeiros chopes era um olhar comedido. Do tipo envergonhado. Afinal, ele é seu amigo! Mas como o ser humano é de carne e osso - e o chope ajuda a gente a se lembrar disso -, de um ponto para lá da conversa você perdeu a vergonha e começou a olhar para o pentelho do decote de forma descarada.
Ela, claro, percebeu. As mulheres sempre percebem. Nos primeiros chopes ela fingiu que não tinha percebido. Preferiu acreditar que você estava admirando o lindo vestido que ela havia comprado na semana passada. Até comentou, brevemente, só para te testar. As mulheres adoram testar os homens. Mas, chope foi, chope veio, ela se convenceu de que o tal decote estava chamando atenção. Ao contrário de ficar nervosa, ela relaxou: afinal, você é o amigo do namorado dela! E continuou desabafando.
Você, já em franco contato com seus instintos, mas ainda de posse de alguma razão, disse que estava tarde. Alegou que precisava acordar cedo no dia seguinte. Mas ela, em um ato totalmente involuntário, pegou na sua mão e soltou: “Ah! Fica mais um pouquinho!”. Você, meio constrangido, meio lisonjeado, falou: “Tá, só um pouquinho!”.
O papo, então, continuou. Ela, a essa altura da conta de chopes, já estava muito, mas muito mais relaxada. Conta alguns segredos sobre o seu amigo. Diz que ele nem é tão bom de cama assim. Na verdade ela confessa que em um ano de relacionamento só teve dois orgasmos. Só míseros dois momentos de prazer extremo. Você, claro, já pensa em como vai sacaneá-lo: “Porra! Só dois?!?!”. Ela não pára por ai e solta mais algumas pérolas sobre o seu amigo. Diz até que ele já a deixou na vontade. Você pensa: “Uma mulher desse tamanho não pode passar vontade!”.
Você, claro, entende o problema dela. É uma pena, mas uma enorme pena, que ela seja namorada do seu amigo. Se fosse um conhecido seria tão mais simples. No “fica mais um pouquinho!”, você já teria pedido a conta e ido para o motel mais próximo. Mas não: o filho da puta, ruim de cama e broxa era teu amigo! E o problema agora era totalmente seu: trair ou não trair o teu amigo?
Ela já dava claros sinais de que estava pronta. Seus olhos o encaravam a todo o momento. Era como se dissessem: “Vamos?”. Mas, claro, era disfarçado - as mulheres sempre disfarçam. Se vocês fossem, que ficasse claro, foi você quem tomou a iniciativa. Ela queria, claro que ela queria! Afinal: só dois orgasmos em um ano. Tadinha! Estava subindo pelas paredes. Triste e solitária, perdida em um pub no centro da cidade. Era claro que ela queria transar com você.
Mas você não queria acreditar nisso - os homens nunca querem acreditar. O seu problema nem era esse. O dilema era trair ou não trair o filho da puta do seu amigo. Intimamente você só pensava nele, naquela cara de idiota que ele tem. Mas, claro, olhava para ela e para aquele belíssimo par de seios, recém-adquiridos e pagos em suaves vinte e quatro vezes. Na sua cabeça dois pensamentos conflitantes: “Oh mulher gostosa!” e “Oh filho da puta broxa!”.
O bem e o mal. O céu e o inferno. E você no meio daquele turbilhão de emoções - e tentações! Por fim, depois de muito analisar a situação, você respira fundo, pega na mão dela e diz…
Agora você pode responder! Afinal, o amigo é seu. É filho da puta, ruim de cama e broxa, mas é teu amigo. Eu, meu caro, só desenhei a situação para você.
O segredo para uma vida feliz
Posted by felipepavao - 02/12/08 at 07:12:03 amLi outro dia em um livro a seguinte passagem…
“The secret to a happy life: find out what you like to do, and them find someone who will pay you to do it”.
Simples, não?
O que você faz com o seu lixo?
Posted by felipepavao - 29/11/08 at 09:11:52 amMeus amigos sabem o quanto fico fulo da vida com os imundos que jogam lixo no chão. Parece que o governo estadual, por meio da secretaria de meio ambiente, resolveu “comprar” a minha briga. Está promovendo, por meio de rádio e televisão, campanha contra os imundos. Tem até um site (http://www.meulixo.rj.gov.br).
Geralmente quando abordo alguém que joga lixo no chão - e eu sempre abordo, não consigo evitar - os imundos dizem que: A) a culpa da sujeira das ruas não é deles, é do agregado (todas as pessoas que jogam); B) estão dando emprego para o gari. Acho que não preciso nem comentar a ignorância e imbecilidade das “desculpas”. Um domingo desses fui comprar um frangão assado na padaria perto de casa e tinha um imundo jogando ossos de galinha - isso mesmo - na rua. Não aguentei e falei que ele era mal educado por fazer aquilo. O imundo deu a “desculpa” A e ficou fulo da vida porque eu o havia chamado de mal educado. Quis até partir para as vias de fato. Mas não partiu porque o pessoal do “deixa disso” apartou.
Esse é um pequeno exemplo dos vários que já presenciei. Ontem mesmo, voltando do Rio na madruga, discuti com um senhor que estava jogando um lata de refrigerante no chão. “É para a reciclagem”, alegou o imundo. Achei engraçado porque tinha uma lata de lixo reciclável a dois metros dele. Questionado sobre a evidência, o velho preferiu “sair pela tangente” e ir embora. A evidência da ignorância dele era irrefutável - “contra fatos, não há argumentos”.
Bom, diante dessas inúmeras brigas que já tive sobre lixo, constatei os seguintes fatos:
1) Os imundos não têm idade. Desde velhos até, o que é mais triste, às crianças jogam lixo na rua;
2) Os imundos não têm classe social. Dos engravatados até os mendigos jogam lixo nas ruas;
3) Os imundos não gostam quando são repreendidos. Eles se sentem acoados e demonstram profunda revolta com isso;
Por que isso ocorre? Trata-se de um instituição informal, enraizada em nosso país devido à inexistência de boas práticas de cidadania nas escolas. Mas isso não ocorre apenas porque “é Brasil” - como dizem alguns -, a ignorância não é exclusividade do nosso país. Na Itália, por exemplo, as pessoas não jogam lixo nas ruas porque sabem que podem ser multadas por isso - o que ocorre na maioria dos países desenvolvidos - e porque foram ensinadas nas escolas a ter boas práticas de cidadania. O que muda a maneira pela qual as pessoas lidam com o seu lixo tem a ver com três coisas básicas: 1) aumento da taxa de escolaridade; 2) inserção de boas práticas de cidadania na escola (algo como “saber conviver em sociedade”); 3) incentivos para que as pessoas não joguem lixo (campanhas de conscientização e multas, por exemplo). A teoria é bem simples: as gerações que incorporam esses três conceitos substituem as gerações que nunca tiveram tais noções de cidadania. Isso ocorre em um prazo muito longo - chutaria 100 anos para países como o Brasil.
Uma boa maneira de ensinar às futuras gerações a não jogar lixo nas ruas é exatamente incluir a matéria CIDADANIA no currículo das escolas básicas. Mas nada de teoria. Aulas práticas de cidadania. Por exemplo, pegue umas 20 crianças e leve elas para uma praça. Faça com que elas observem o ir e vir de pedestres. Ensine-os uma lição: jogar papel na rua é um ato negativo. Cada vez que uma criança ver um adulto jogando papel na rua, ensine-os a intervir. Mande uma dúzia de crianças para cima dessa pessoa falando o quão errado é aquela atitude. Tenho certeza de que essa lição será plenamente apreendida por todas as crianças - eu já tinha abordado essa questão em texto bastante antigo, que pode ser lido aqui.
Particularmente eu sou bastante cético à possibilidade de um imundo reagir à campanhas de conscientização. Além disso, não acho que governos devam gastar dinheiro com campanhas publicitárias - o dinheiro poderia ser melhor gasto na implementação do item CIDADANIA nas escolas. Entretanto, fiquei feliz com a campanha do governo do estado porque parece que alguém levou a sério minha briga…
PS: O que você acha de adotar a mesma postura que eu adoto: chamar um imundo de imundo quando ele estiver jogando lixo na rua?
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